← Enciclopédia

Faixa Vermelha e Branca — O 8º Grau

Sete anos depois de alcançar a coral, um punhado de mestres do Jiu-Jitsu chega a um patamar ainda mais raro: a faixa vermelha e branca, o 8º grau da faixa preta. Entenda o que separa esse grau da coral e por que ele reduz ainda mais o círculo de quem pode carregá-lo.

Um grau que existe para um punhado de pessoas no mundo

Se a faixa coral (7º grau) já reúne um número reduzidíssimo de mestres em qualquer geração do Jiu-Jitsu, o 8º grau — representado pela combinação vermelha e branca — reduz esse círculo ainda mais. Trata-se do degrau seguinte na escala de graus da faixa preta, alcançado por quem, além de já carregar a coral, permaneceu ativo, relevante e reconhecido pelo esporte por mais um período significativo de anos.

Assim como a coral, a vermelha e branca não deve ser lida como "mais uma faixa nova" no sentido tradicional — é um grau dentro da própria faixa preta, um reconhecimento de continuidade: o mestre que a recebe não apenas alcançou o topo décadas atrás, como seguiu ativo, contribuindo e sendo referência para o esporte durante todo esse tempo adicional.

Faixa vermelha e branca — o 8º grau da faixa preta, o degrau seguinte à coral no sistema de graduação do Jiu-Jitsu.

O critério: sete anos além da coral

O intervalo entre o 7º grau (coral) e o 8º grau (vermelha e branca) é de aproximadamente sete anos adicionais como faixa preta — um salto maior do que os intervalos de três anos típicos dos primeiros graus, refletindo o fato de que, quanto mais avançado o grau, maior o tempo mínimo exigido entre um degrau e o próximo. Somando esse intervalo ao critério acumulado até a coral (cerca de 31 anos), um mestre elegível à vermelha e branca já carrega, no mínimo, algo perto de 38 anos de faixa preta — sem contar os anos de faixas coloridas anteriores à preta.

Como em todos os graus avançados da faixa preta, o tempo mínimo funciona como um piso, não como uma garantia automática de concessão. A decisão de conceder o 8º grau a um mestre passa por reconhecimento formal dentro da comunidade e das federações — normalmente refletindo décadas de formação de alunos, manutenção e crescimento de uma linhagem de ensino, e contribuição contínua para a organização e a evolução do esporte, muito além do próprio desempenho técnico individual.

Por que esse grau é tratado como um marco histórico

Cada vez que um mestre recebe a faixa vermelha e branca, o evento tende a ganhar contornos de marco histórico dentro da comunidade do Jiu-Jitsu: a cerimônia costuma reunir representantes de várias gerações de alunos, referências de outras academias e cobertura da imprensa especializada em artes marciais. Isso acontece porque, na prática, cada concessão do 8º grau marca a permanência viva de alguém que testemunhou — e ajudou a construir — boa parte da história recente do esporte, desde os anos em que o Jiu-Jitsu ainda era pouco conhecido fora do Brasil até sua consolidação como esporte global.

Vale destacar que o número de mestres vivos com a faixa vermelha e branca, em qualquer momento da história do esporte, costuma ser contável nos dedos das mãos em escala mundial — o que reforça o peso simbólico do grau muito além do critério puramente cronológico que o define.

A diferença entre reconhecimento técnico e reconhecimento histórico

É importante entender que, a essa altura da escala de graduação, o critério deixou de ser fundamentalmente técnico. Ninguém questiona se um mestre com a faixa vermelha e branca ainda "domina" tecnicamente o Jiu-Jitsu — a essa altura, o grau reconhece outra coisa: a extensão da própria vida dedicada ao esporte, o legado deixado em forma de alunos, academias, linhagens de ensino e, em muitos casos, contribuições diretas para a organização e as regras do Jiu-Jitsu esportivo como ele existe hoje. É um reconhecimento histórico tanto quanto técnico — ou até mais histórico do que técnico, a essa altura da trajetória.

O que vem depois: o topo absoluto do sistema

Acima da vermelha e branca, restam apenas dois patamares no sistema de graduação do Jiu-Jitsu: o 9º grau, concedido individualmente a mestres específicos, e o 10º grau — a faixa vermelha "pura" —, reservado historicamente a um grupo fechadíssimo de pioneiros. Chegar à vermelha e branca já coloca um mestre entre os nomes mais respeitados e historicamente relevantes do esporte; o que vem depois pertence a um capítulo à parte, reservado a poucas figuras na história inteira do Jiu-Jitsu.

Leia também

Sua próxima faixa, com seu nome nela

Monte no estúdio: tarja, graus, fonte e a logo da sua academia.

Crie sua faixa